Em Sartre encontro referências para uma desistência
anunciada minha para com a humanidade.
Fonte da imagem: http://goamusica.blogspot.com.br
Se
por um lado Sartre lê o homem como ser desolado, jogado no mundo, amaldiçoado
pela inevitabilidade da liberdade, por outro ele descreve a eminência de um estopim
deste indivíduo encurralado pela “nadificação”, de uma existência ignomínia e insuportável
em termos de sentido, desvelando um ser que quando revoltado pode asilar-se do
outro e empreender sentimentos de aniquilamento e negação do mundo que melindra
cínico ante seus olhos, à beira de um Niilismo
Existencial. Ora, como não amparar nestes auspícios sartrinianos minha
desilusão com uma raça que ainda cospe defesas putrefatas de superioridade e se
entrega, austera e barbaramente, a rituais de tortura, depredação e
trucidamento de formas diferenciadas de vida? Quem é este homem que se auto declara
o cicerone absoluto de todo um universo e por isto promulga e pulveriza, sob
insanos critérios próprios, os valores inerentes às demais formas de vida de um
planeta? Como dizer que não sou eu esta que falha ao impetrar uma incursão em
busca dos sentidos dados à priori, esta
que não consegue sufocar os por quês incrustados deste mundo que me veio feito?
Recuso então, como ser aberto à revolta, este mundo de moral totalitária e
combato o vômito corrupto do especismo, que perverte a natureza na riqueza
diversa de sua essência. Choro com aqueles que apenas na tristeza cálida de
seus dóceis, ternos e exauridos olhos expressam a fatalidade da sua condição de
réu sem direito à defesa, de inimigo sem causa justa, investigada. Choro agora,
sem falsos eufemismos, ao escrever estas palavras, porque estes seres são a única
existência que não se corrompe, são o amor na forma como nele acredito. Choro
desacreditando no alcance real do desejo mais desesperado de meu coração: a
coexistência! Humanos, imploro, sedes humanos.
