Saturday, October 19, 2013

A náusea no silêncio da subordinação

Em Sartre encontro referências para uma desistência anunciada minha para com a humanidade.


Se por um lado Sartre lê o homem como ser desolado, jogado no mundo, amaldiçoado pela inevitabilidade da liberdade, por outro ele descreve a eminência de um estopim deste indivíduo encurralado pela “nadificação”, de uma existência ignomínia e insuportável em termos de sentido, desvelando um ser que quando revoltado pode asilar-se do outro e empreender sentimentos de aniquilamento e negação do mundo que melindra cínico ante seus olhos, à beira de um Niilismo Existencial. Ora, como não amparar nestes auspícios sartrinianos minha desilusão com uma raça que ainda cospe defesas putrefatas de superioridade e se entrega, austera e barbaramente, a rituais de tortura, depredação e trucidamento de formas diferenciadas de vida? Quem é este homem que se auto declara o cicerone absoluto de todo um universo e por isto promulga e pulveriza, sob insanos critérios próprios, os valores inerentes às demais formas de vida de um planeta? Como dizer que não sou eu esta que falha ao impetrar uma incursão em busca dos sentidos dados à priori, esta que não consegue sufocar os por quês incrustados deste mundo que me veio feito? Recuso então, como ser aberto à revolta, este mundo de moral totalitária e combato o vômito corrupto do especismo, que perverte a natureza na riqueza diversa de sua essência. Choro com aqueles que apenas na tristeza cálida de seus dóceis, ternos e exauridos olhos expressam a fatalidade da sua condição de réu sem direito à defesa, de inimigo sem causa justa, investigada. Choro agora, sem falsos eufemismos, ao escrever estas palavras, porque estes seres são a única existência que não se corrompe, são o amor na forma como nele acredito. Choro desacreditando no alcance real do desejo mais desesperado de meu coração: a coexistência! Humanos, imploro, sedes humanos.