Tuesday, September 3, 2013

Carta à você

Percebo seu silêncio
No fundo dessas lágrimas...
Dias de chuva
Que lembram nosso tempo...
Eram apenas carinhos perdidos...
Nosso amor telepático...
Persisto ser assim...
Confissões escondidas
Naquele lugar tão distante...
Pequenos e minúsculos
Sinais de perdão...
Foi o vento
Metido a não fazer nada...
Que levou nos braços
Devaneios de amor,
E palavras nunca ditas

Jamais.

Ontem e Hoje

Existiam planos não expressados. Existiam angústias não consideradas. Existiam propostas na ponta da língua. Que travaram na imediaticidade dos novos rumos. Agora existe passividade. Existe arrependimento. Existe incompetência. Por isso o que observo é uma tela branca, e nenhum ânimo para novos rabiscos.

A sequência


Primeiro pensei que era tolice

Depois a tolice chutou-me as canelas

E desculpei-me pelo descaso

E comecei a prestar atenção

Depois veio a incoerência

E desdenhei o arrepiar da pele

Na sua presença

No ressoar da sua voz

Passaram-se insossos dias

Opacas noites

Até reinar a solidão

Tirana

E ai você deixou de existir

Dividi a dor em parcelas

E fugi de repensar esta jornada

Afinal, sem sua escolta

Para nós

Não haverá  volta


O inferno das definições

Ontem, perguntaram-me sobre a natureza de certo sentimento. A indecisão na minha resposta causou espanto. A não ciência de um estado emocional pareceu assombrar meu interlocutor, o que piorou depois que assumi apresentar esta mesma absoluta indecisão em relação a mais de uma pessoa. Ora, além de não haver espaço para a dúvida, parece também não haver lugar para um posicionamento democrático nisto que popularmente as pessoas chamam de "questões amorosas". Então, basicamente, há duas decisões que precisam ser feitas por todo ser humano, sendo: a) o que se sente e b) em relação a quem se sente. A pergunta que não se faz, porém, é a principal: de que adianta? Qual a função desta categorização? A mim parece que uma classificação tende a oferecer às pessoas um certo grau de conforto. Mas, desde que esta definição seja pressuposto para a ação. Se este exercício for, no entanto, mero preenchimento de critérios externos, será representativo de um fútil padrão massificador, que não me interessa. E de fato não deveria interessar a ninguém.