... Nada de realmente especial
nesta data, mas os simbolismos em torno dos ritos de parabenização me fazem
pensar sobre algumas coisas, duas em especial, que convergem para o mesmo
ponto, ou para a mesma pessoa. Primeiro: em Grey’s Anatomy, Cristina e Mer
consideram uma a outra como “my person”; em uma tradução não literal, esta
denominação poderia ser compreendida como “minha pessoa preferida, dentre todas
as preferidas”. Desde a primeira menção desta declaração única de amizade entre
as personagens que venho tentando identificar quem é a “my person”, na minha
vida. Segundo: em momentos nos quais presentes são possibilidades, como nos
aniversários, sempre pensamos: qual seria o presente perfeito, mesmo que pouco
provável? A imediatez do pensamento me joga nos braços de um amor platônico,
sem pestanejar. Ainda que eu saiba que, uma vez correspondido, a complexidade
desse amor não devolvido se perderia, deixando-o na mediocridade. Mas este não
é o ponto central. Desejar a realização de um amor impossível como
representação de uma dádiva máxima é resultado de uma superficialidade de
análise. Meu presente perfeito, com toda certeza, seria outro. E ele está relacionado
com “a minha pessoa”; e de fato ele é ainda mais impossível do que a quebra do
platonismo de um amor romântico. Pois “a minha pessoa” não está mais comigo.
Ela se foi em junho de 2001, tempranamente, quando eu ainda adolescia, nos idos
18 anos. Ela se foi sem que eu a conhecesse de um jeito maduro, sem que eu a
reconhecesse pela sua história dolorida e valente, sem que eu pudesse
reverenciá-la em vida. Ela se foi sem saber que era “a minha pessoa”, nem eu
sabia. Nem deu tempo de inverter a lógica de sua trágica trajetória, colorindo
os cenários cinza de seu passado com alguma purpurina de dias melhores. Que
viriam, que vieram, mas tarde demais pra ela. E é assim que meu presente
perfeito se faz impossível. Ele seria uma oportunidade, uma brecha no tempo pra
dizer algumas frases, pra estabelecer distintos vínculos, para estar plenamente
ao lado da minha pessoa preferida, dentre todas as preferidas, minha mãe
querida. Neste meu aniversário, meu presente, é sofrer pela tua ausência,
irreversível, pungente, injusta.
Amor eterno,
Sina.