Monday, October 28, 2013

Só mais um aniversário...


... Nada de realmente especial nesta data, mas os simbolismos em torno dos ritos de parabenização me fazem pensar sobre algumas coisas, duas em especial, que convergem para o mesmo ponto, ou para a mesma pessoa. Primeiro: em Grey’s Anatomy, Cristina e Mer consideram uma a outra como “my person”; em uma tradução não literal, esta denominação poderia ser compreendida como “minha pessoa preferida, dentre todas as preferidas”. Desde a primeira menção desta declaração única de amizade entre as personagens que venho tentando identificar quem é a “my person”, na minha vida. Segundo: em momentos nos quais presentes são possibilidades, como nos aniversários, sempre pensamos: qual seria o presente perfeito, mesmo que pouco provável? A imediatez do pensamento me joga nos braços de um amor platônico, sem pestanejar. Ainda que eu saiba que, uma vez correspondido, a complexidade desse amor não devolvido se perderia, deixando-o na mediocridade. Mas este não é o ponto central. Desejar a realização de um amor impossível como representação de uma dádiva máxima é resultado de uma superficialidade de análise. Meu presente perfeito, com toda certeza, seria outro. E ele está relacionado com “a minha pessoa”; e de fato ele é ainda mais impossível do que a quebra do platonismo de um amor romântico. Pois “a minha pessoa” não está mais comigo. Ela se foi em junho de 2001, tempranamente, quando eu ainda adolescia, nos idos 18 anos. Ela se foi sem que eu a conhecesse de um jeito maduro, sem que eu a reconhecesse pela sua história dolorida e valente, sem que eu pudesse reverenciá-la em vida. Ela se foi sem saber que era “a minha pessoa”, nem eu sabia. Nem deu tempo de inverter a lógica de sua trágica trajetória, colorindo os cenários cinza de seu passado com alguma purpurina de dias melhores. Que viriam, que vieram, mas tarde demais pra ela. E é assim que meu presente perfeito se faz impossível. Ele seria uma oportunidade, uma brecha no tempo pra dizer algumas frases, pra estabelecer distintos vínculos, para estar plenamente ao lado da minha pessoa preferida, dentre todas as preferidas, minha mãe querida. Neste meu aniversário, meu presente, é sofrer pela tua ausência, irreversível, pungente, injusta.          

Amor eterno,


Sina.